Um novo sistema que promete melhorar a classificação de risco e a triagem está chegando ao Brasil e está dividindo opiniões.


O QUE É?

O Manchester classifica, após uma triagem baseada nos sintomas, os doentes por cores, que representam o grau de gravidade e o tempo de espera recomendado para atendimento. Aos doentes com patologias mais graves é atribuída a cor vermelha, atendimento imediato; os casos muito urgentes recebem a cor laranja, com um tempo de espera recomendado de dez minutos; os casos urgentes, com a cor amarela, têm um tempo de espera recomendado de 60 minutos. Os doentes que recebem a cor verde e azul são casos de menor gravidade (pouco ou não urgentes) que, como tal, devem ser atendidos no espaço de duas e quatro horas.

O programa recebeu este nome porque foi aplicado pela primeira vez em 1997 na cidade britânica de Manchester. Esta triagem foi rapidamente implementada em vários hospitais do Reino Unido. Em Portugal, são poucos os hospitais que ainda não utilizam este sistema, que já está sendo empregado em outros países da Europa, como Espanha, Holanda, Alemanha e Suécia.

 

COMO FUNCIONA?

A Classificação de Risco é realizada com base em protocolo adotado pela instituição de saúde, normalmente representado por cores que indicam a prioridade clínica de cada paciente. Para tanto, algumas condições e parâmetros clínicos devem ser verificados.

A classificação de risco deve ser executada por um profissional de nível superior, que geralmente é o enfermeiro que tenha uma boa capacidade de comunicação, agilidade, ética e um bom conhecimento clínico.

O paciente que chega à unidade é atendido prontamente pelo enfermeiro, que fará uma breve avaliação do quadro clínico do paciente utilizando o protocolo de Manchester, depois encaminha o mesmo para o local de atendimento. A classificação é feita a partir das queixas, sinais, sintomas, sinais vitais, saturação de O2, escala de dor, glicemia entre outros. Após essa avaliação os pacientes são identificados com pulseiras de cores correspondentes a um dos seis níveis estabelecido pelo sistema.

A cor vermelha (emergente) tem atendimento imediato; a laranja (muito urgente) prevê atendimento em dez minutos; o amarelo (urgente), 60 minutos; o verde (pouco urgente), 120 minutos; e o azul (não urgente), 240 minutos.

PROTOCOLO DE MANCHESTER NO BRASIL

O estado de MG é pioneiro na implantação desse sistema, a classificação dos pacientes por cores, conforme a urgência do atendimento, já era utilizada nas unidades de urgência e emergência com o propósito de organizar o fluxo de pacientes. Em março de 2011, a Prefeitura iniciou a implantação do protocolo em 24 postos de saúde, em caráter piloto.

Segundo a coordenadora Juliana Santos, a implantação do Manchester vai corrigir várias distorções que existem hoje nos centros de saúde, relacionadas ao atendimento, apontando entre as vantagens do sistema mais segurança para o usuário e para o profissional e linguagem única na rede (nomenclatura padrão). “O Manchester é rápido, objetivo e reproduzível, tem alta precisão e não trabalha com diagnóstico, mas com sintomas dentro de um padrão internacional”, avalia.

Em Curitiba não houve projeto piloto, ele foi implantado em 100% das unidades, o que gerou bastante apreensão no inicio, mas agora a adaptação está melhor. Segundo o médico Marcelo a classificação trouxe ganhos na organização do atendimento, mas a facilidade em adotar o novo protocolo varia de unidade para unidade, dependendo até mesmo dos profissionais que a compõem. “A nossa UBS era muito organizada, com prioridades para os atendimentos agudos, então não houve grandes mudanças”, disse.

Já o médico Fabiano relatou a verdadeira odisseia que está sendo a implantação do Manchester na UBS São Bernardo. Já foram testados vários formatos de organização do fluxo do serviço, com grande desgaste da equipe. Uma das conclusões, segundo ele, é que as equipes de referência, como propostos não funcionam.

Algumas conclusões foram comuns aos dois médicos:

  • Não tem classificação de risco que dê conta de uma demanda exagerada.
  • Ausência de integralidade na abordagem, porque existe uma tendência de se basear na queixa conduta, o que foge ao objetivo primordial da atenção primária.
  • Ausência de individualização na avaliação de cada caso, visto que os sintomas já vêm listados.
  • Redução substancial na resolubilidade de outros membros da equipe do programa, por ser centrado no médico.
  • Sobrecarga da enfermagem que faz o primeiro contato e preenche o Manchester.
  • O Manchester não leva em conta a vulnerabilidade social.
  • Risco de quebra do vínculo com os pacientes.
  • O Manchester é centrado na doença e tira o foco do pessoal, trazendo desumanização da subjetividade da narrativa do usuário, em prol de um protocolo informatizado.
Vídeo ilustra como funciona o Protocolo de Manchester

 

Enfermeira concede uma entrevista e da seu parecer sobre o Protocolo.

 

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