Os reflexos primitivos característicos do RN devem ser avaliados, pois podem trazer informações importantes sobre seu estado de saúde.


São caracterizados por resposta motora involuntária a um estímulo e estão presentes em bebês desde antes do nascimento até por volta dos seis meses de vida. São mediados por mecanismos neuromusculares subcorticais, que se encontram desenvolvidos desde o período pré-natal. O desaparecimento desses reflexos durante o curso normal de maturação do sistema neuromuscular nos primeiros seis meses de vida é atribuído ao desenvolvimento de mecanismos corticais inibitórios.

Reflexos primitivos (reflexos humanos primitivos) são reflexos originados do sistema nervoso central que são presentes em crianças novas, especialmente bebês, mas não em adultos com sistema nervoso intacto. Estes reflexos desaparecem ou são inibidos pelos lóbulos frontais à medida que a criança se desenvolve pela maturação do cérebro pela mielização, arborização e formação das sinapses das células nervosas, com crescente controle voluntário de cada uma das atividades com estes reflexos relacionadas. Este processo foi demonstrado por Lefèvre e Diament.

Na criança a falta de amadurecimento ou desaparecimento de tais reflexos pode significar a existência de lesões cerebrais. O mesmo se dá para adultos que retornem a adquiri-los. Daí sua importância na avaliação da enfermagem.

 

VÍDEO COM TODOS OS REFLEXOS

 

REFLEXO DE BABINSKI

Na medicina (neurologia), o reflexo plantar, reflexo de Babinski é um reflexo descoberto por Joseph Babinski.

A presença do reflexo (extensão do hálux) é uma reação normal em crianças até 2 anos de idade. Em adultos indica lesão neurológica.

Caracteriza-se por uma extensão do hálux (dedão do pé), quando um firme estímulo tátil (que não deve ser chegar a ser doloroso, nem causar desconforto ou lesão na pele) é aplicado à sola lateral do pé. Junto com a extensão do hálux, os outros dedos do pé afastam-se entre si.

Existem três respostas possíveis:

• Flexão: os dedos do pé curvam-se para baixo. Esta é a resposta normal observada em adultos sãos.

• Indiferente: Não há resposta ou difícil de classificar.

• Extensão: o hálux realiza uma extensão para cima. A esta resposta, atribui-se o nome de sinal de Babinski.

Os bebês também mostram uma resposta extensora, que neste caso é normal. Isso ocorre porque o trato corticoespinhal que corre do cérebro para a medula espinhal ainda não está completamente mielinizado nesta idade, então o reflexo não é inibido pelo córtex cerebral. A resposta extensora desaparece e dá lugar à resposta flexora por volta dos 12-18 meses de vida.

 

REFLEXO DE MORO

O reflexo de moro pode ser demonstrado colocando-se o bebê voltado para cima sobre uma superfície macia, acolchoada. Os braços são gentilmente elevados com tração suficiente apenas para começar a remover o corpo da superfície (obs: o corpo do bebê não deve ser elevado da superfície, apenas deve-se remover o peso). Os braços são então repentinamente soltos. O bebê pode apresentar uma aparência “assustada” e os braços se abrem para os lados com as palmas para cima e os polegares flexionados. À medida que o reflexo termina, o bebê fecha novamente os braços, com os cotovelos flexionados, e então relaxa. Some por volta do segundo ou terceiro mês.

 

REFLEXO TÔNICO DO PESCOÇO

O reflexo tônico do pescoço é estimulado quando a cabeça de uma criança relaxada e deitada é girada lateralmente. O braço que está do lado para o qual a criança está voltada se estende para fora do corpo com a mão parcialmente aberta enquanto o braço do outro lado é flexionado e o punho é cerrado. Ao se reverter a direção para a qual a face está voltada, reverte-se toda a posição. As posições tônicas do pescoço são frequentemente descritas como as posições de esgrima, pois lembram a postura de um esgrimista. Costuma desaparecer no terceiro mês.

 

REFLEXO PERIORAL

O reflexo perioral é estimulado quando se golpeia levemente as bochechas. O bebê girará na direção em que foi golpeado e começará a fazer movimentos de sucção com a boca. Este reflexo está presente no nascimento e vai diminuindo a partir do quarto mês, quando a criança começa a levar a mão à boca e se inicia um processo de adequação da sensibilidade oral.

 

REFLEXO DE SUCÇÃO

Desenvolvido ainda no útero, após a 35ª semana de gestação, também está presente ao nascimento e por volta dos quatro meses começa a tornar-se voluntário. É uma continuidade do reflexo de busca. Após a criança introduzir o bico do seio na sua cavidade oral, o contato deste com a porção anterior da língua, desencadeia um processo de movimentos rítmicos de sucção. Prepara a criança para se alimentar e, obviamente, sobreviver. Este movimento de sucção já envolve outros movimentos coordenados em que intervêm a língua e os lábios. Todo RN a termo o possuem e sua ausência indica prematuridade notável ou grave defeito no desenvolvimento.

 

REFLEXO DE MARCHA

Reflexo de marcha: quando a criança é suportada numa posição vertical e mantém contato dos pés com uma superfície podem surgir movimentos alternados dos membros inferiores, com uma morfologia geral semelhante à marcha. É visível a partir da segunda semana de vida e normalmente desaparece ao segundo mês.

 

REFLEXO DE PREENSÃO PALMAR E PLANTAR

A preensão palmoplantar se obtém com leve pressão do dedo do examinador na palma das mãos da criança e abaixo dos dedos do pé.

O reflexo de preensão é um reflexo dos primatas, em sua fase fetal e na fase posterior ao nascimento, no qual as mãos, ao terem um objeto, seja ele qual for, junto a sua palma, próximo a zona distal dos metacarpos, causam o fechamento involuntário da mão (flexão dos dedos), com significativa força. O mesmo se dá na planta dos pés, porém menos destacadamente nos humanos, quando se aplica pressão na face plantar dos pés, na região distal dos metatarsos, causando flexão dos dedos dos pés.

Um RN apresenta um forte reflexo de preensão. O RN fecha as mãos e os dedos quando sente algum toque na região palmar. Os dedos da criança não se fecham simplesmente, mas adaptam-se perfeitamente ao contorno daquilo que lhe causou o estímulo. Trata-se de uma grande façanha para o bebé: o reflexo é tão forte que o recém-nascido, muitas vezes, é capaz de aguentar o seu próprio peso suspenso durante uns segundos. Esta resposta envolve uma sequência bem determinada dos dedos, com início no dedo médio, anelar e mínimo, seguidos do indicador e finalmente do polegar. O reflexo palmar desaparece entre o quarto e o sexto mês. O reflexo plantar desaparece até os seis meses.

 

REFLEXO DE FUGA À ASFIXIA

O reflexo de fuga à asfixia é avaliado colocando-se a criança em decúbito ventral no leito, com a face voltada para o colchão. Em alguns segundos o RN deverá virar o rosto liberando o nariz para respirar adequadamente.

 

 

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