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Cientistas da USP (Universidade de São Paulo) começarão a testar no mês que vem em macacos uma vacina de DNA contra o HIV. As cobaias, que não são capazes de contrair o vírus, servirão para avaliar a segurança do produto e sua capacidade de ativar o sistema imune.

A vacina, que vem sendo desenvolvida desde 2001, foi inspirada na bioquímica do organismo de pacientes que são mais resistentes ao vírus. Se o experimento em macacos tiver sucesso, a ideia é fazer testes de segurança em humanos, diz Edecio Cunha Neto, líder do grupo de pesquisa que criou a vacina.

A ideia, segundo ele, é aplicar a vacina em pessoas sem vírus em combinação com outra imunização que ainda venha a ser criada, porque ela não deve ser capaz de conferir proteção total sozinha.

“Ela em si não seria uma cura, seria uma forma de atenuar a doença. Em combinação com outra vacina, poderia contribuir para uma proteção completa contra o HIV.”

Cunha Neto começou a desenvolver a vacina junto de Jorge Kalil, diretor do Instituto Butantan, estudando o organismo de soropositivos cujos linfócitos T CD4 –células do sistema imune responsáveis por reconhecer os vírus– eram capazes também de atacar o HIV com toxinas.

 

A PESQUISA

Pesquisando a estrutura de proteínas do vírus usadas pelas células do sistema imune no reconhecimento, os cientistas criaram um segmento de DNA que produziria esses plasmídeos –fragmentos de molécula– ao serem injetados em células humanas. Em testes com o sangue de pacientes em tubos de ensaio, a estratégia mostrou sucesso.

“Em média, o sistema imune de cada paciente reconhecia 5 dos 18 peptídeos que nós usamos”, disse Cunha Neto. Segundo o cientista, isso é requisito para que uma vacina funcione em pessoas com diferentes perfis genéticos.

Desde 2006, o grupo da USP vinha realizando experimentos com a vacina de DNA em camundongos. Como roedores também não contraem o HIV naturalmente, Cunha Neto criou um parasita “frankenstein” ,inserindo pedaços do HIV num vírus da família da varíola. Ao testar a vacina nos animais contaminados com essa criatura artificial, o cientista conseguiu reduzir a carga de infecção.

 

SEGUNDA FASE

A próxima etapa da pesquisa será aplicar a vacina em um grupo de 24 macacos resos no Butantan e examiná-los. “Queremos verificar se eles geram as células que reconhecem as partículas do vírus”, diz Cunha Neto.

Se o experimento com macacos der certo, diz Kalil, será possível começar testes em humanos daqui a três anos.

Esse salto, porém, precisaria do apoio da iniciativa privada, que ainda não manifestou interesse na pesquisa.

A FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) diz ter investido cerca de R$ 1 milhão no projeto até agora, mas um ensaio clínico custa algo na ordem de centenas de milhões.

Para Esper Kallás, professor de imunologia clínica da USP não envolvido na pesquisa, existe espaço para o trabalho brasileiro se destacar.

“Vários estudos e já estão na fase de testes em humanos. No Brasil, ainda estamos atrás porque o volume de investimento é muito baixo.”

Segundo Kalil, a pesquisa brasileira pode ter sucesso onde outras falharam, porque usa uma estratégia distinta das outras, estimulando um conjunto diferente e células do sistema imune em relação às demais.

 

Fonte: Folha

 

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